segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Aço a indústria base da humanidade.





BRASÍLIA 2017 A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL 

APRESENTAÇÃO O Instituto Aço Brasil nasceu em 1963, com o objetivo de fomentar a competitividade da indústria brasileira do aço. Ao longo desses anos, o Instituto sempre esteve comprometido com o desenvolvimento sustentável do país e com as demandas da sociedade. Suas ações sempre foram em prol da sustentabilidade, baseadas nos pilares econômico, social e ambiental. Tendo como associadas 14 empresas, o Aço Brasil tem entre suas principais funções a realização de estudos e pesquisas relacionados à produção, equipamentos e tecnologia, matéria-prima e energia, meio ambiente, tendências de mercado, novas aplicações do aço e relações industriais. Cabe à entidade também coletar dados, preparar e divulgar estatísticas do setor, coordenar a normalização de produtos siderúrgicos, desenvolver programas e políticas de apoio à indústria do aço, além de atuar como representante de suas associadas na relação com órgãos e entidades públicas e privadas no país e no exterior. 

Parque Produtor Fonte: Aço Brasil. O parque produtor de aço no Brasil é constituído por 30 usinas (15 integradas e 15 semi-integradas). A capacidade instalada atual da indústria é de 50,3 milhões de toneladas de aço bruto por ano. 

O processo de produção do aço é intensivo em relação ao consumo de algumas matérias-primas e insumos, mas, a partir da segunda metade do século passado, foram obtidos significativos avanços no desenvolvimento de tecnologias que permitiram aumentar a eficiência energética, a redução do consumo específico de matérias-primas, o reaproveitamento dos gases e resíduos do processo e a maximização da recirculação da água.

A adoção do conceito de economia circular no setor vem possibilitando o reuso inteligente e eficaz de matéria-prima, insumos e resíduos. No mundo, cerca de 70% da produção de aço é obtida via rota integrada a coque, sendo o percentual restante produzido pela rota semi-integrada. No Brasil, 78% do aço provém da rota integrada e 21% da semi-integrada, cabendo destacar que cerca de 11% da produção de aço pela rota integrada usa carvão vegetal em substituição ao coque (carvão mineral). 

As empresas dispõem de estações de tratamento da água e dos efluentes que permitem o seu reaproveitamento na unidade de produção original ou sua alocação em outra unidade. Preocupadas com o risco de escassez de recursos hídricos, nos últimos anos, em especial a partir de 2014, as associadas realizaram ações para aumentar a eficiência no uso da água, como a adoção de programas de treinamento/sensibilização de colaboradores, o uso de água de chuva, a adequação dos sistemas de tratamento de efluentes para reutilização posterior desse efluente e a viabilização de novas alternativas de reuso de água. 

Energia A matriz energética da indústria do aço sofreu pequena alteração nos últimos anos. Em 2015, a participação do carvão mineral/coque, principal insumo energético do setor, decresceu 1,3% na matriz energética, em comparação ao ano imediatamente anterior, reflexo do aumento do consumo dos derivados de petróleo. 

 A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL 

A seguir, apresentam-se dois estudos de casos de inovações recentemente realizados pela indústria de aço brasileira. Nova linha de aços elétricos A nova linha de aços elétricos especiais, conhecida como GoCore, lançada recentemente pela Aperam South America, reúne os aços GO (grãos orientados) e HGO (grão superorientado de maior permeabilidade), de alta eficiência energética para aplicações em transformadores de geração e distribuição.

Mais nobre, de alta eficiência energética, o novo aço HGO possui aplicação em transformadores elétricos de geração e distribuição, o que resultará em equipamentos e menores e mais eficientes. A redução do tamanho dos transformadores facilitará o armazenamento, o transporte, além de diminuir a quantidade de insumos usados na sua produção e manutenção. A empresa investiu aproximadamente 19 milhões de dólares entre pesquisas e implementação da linha de produção. Polo Robótico O Polo Robótico da Gerdau, recém inaugurado, localizado na unidade de São José dos Campos – SP, irá estimular uso de tecnologias robóticas para processos industriais e oferecerá também capacitação técnica para a comunidade. 

A iniciativa, desenvolvida em parceria com a empresa ENTEV Integração Robótica e Yaskawa Motoman Robotics, teve investimento de R$ 500 mil e possibilitará a automatização de processos industriais da Gerdau, o que irá contribuir para a produtividade e a segurança do dia a dia das operações da empresa. Além disso, o espaço conta com uma área para capacitação de colaboradores e para a comunidade - universitários ou interessados pelo tema - podendo receber até 600 alunos por semana. 

PRÁTICAS EMPRESARIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 

sustentabilidade. O Aço Brasil foi um dos pioneiros na publicação de relatório setorial relacionado à sustentabilidade.  Iniciativas de certificação e autoregulação desenvolvidas pelo setor Sistemas de gestão ambiental Em 2016, as empresas responsáveis pela produção de 81% do aço bruto já dispunham da certificação ISO 14001, o que demonstra o comprometimento do setor com a prevenção da poluição e melhorias contínuas. No caso da ISO 9001, as empresas responsáveis pela produção de 87% do aço bruto, em 2015, e 100%, em 2016, já dispunham da certificação, atestando de reconhecimento nacional e internacional os sistemas de gestão da qualidade das empresas. 

Já a OHSAS 18001, foi adotada pelas empresas responsáveis pela produção de 46% do aço bruto em 2016. Em 2015, o percentual era de 38%, e o ritmo de procura pela certificação continua a crescer. Rotulagem ambiental As empresas do setor são signatárias de diversos pactos e iniciativas voluntárias da sociedade e da comunidade empresarial relacionadas com o desenvolvimento sustentável. O setor produtor de aço deu um importante passo não só voltado à melhoria contínua da qualidade, mas também sob o ponto de vista da responsabilidade socioambiental, ao buscar o selo ambiental para seus produtos.

Esse tipo de selo resulta da aplicação de sistema de avaliação do desempenho ambiental de produtos. Tanto a ABNT como o IFBQ (Instituto Falcão Bauer de Qualidade) foram acreditados pelo Inmetro para fazerem a certificação ambiental de produtos siderúrgicos.

PRÁTICAS EMPRESARIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL normalização do seu uso e apoiar o desenvolvimento e divulgação de novos processos e tecnologias. Desta forma, os coprodutos poderão ser crescentemente utilizados na construção civil, passando pelos transportes, e também na agricultura, como corretivos e micronutrientes de solos, tornando-se matéria-prima para as indústrias, como, por exemplo, a escória de alto forno, que vem quase totalmente destinada à fabricação de cimentos, substituindo o clínquer e reduzindo, com isso, não só a extração do calcário, um recurso natural não renovável como a emissão dos gases de efeito estufa na produção de cimento. 

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O SETOR NO CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE.

Principais tendências internacionais para o setor no marco da sustentabilidade Com base em relatórios que apontam o esgotamento dos recursos naturais do planeta, e devido à maior exigência da população em relação à qualidade de vida, prevê-se que as normas e regulamentos relacionados à proteção ambiental serão cada vez mais restritivas. Há ainda uma crescente influência da sociedade organizada na definição de convenções e acordos internacionais e legislações relacionadas ao meio ambiente. Dessa forma, as questões socioambientais, pouco consideradas no processo de tomada decisão no passado recente, possuem, atualmente, grande peso no estabelecimento de políticas públicas e na definição de investimentos públicos e privados. A questão ambiental também vem ganhando crescente importância na geopolítica mundial e no comércio internacional. Diversas convenções internacionais foram acordadas nos últimos anos (Mudança do Clima, Biodiversidade, Movimento Transfronteiriço de Resíduos, Poluentes Orgânicos Persistentes etc.) e, de um modo geral, tem sido questionada a sua implementação, já que podem propiciar barreiras ao comércio e afetar países menos desenvolvidos, carentes de tecnologias e de recursos financeiros. Acordos e Convenções internacionais se defrontam com a dificuldade de convergir visões e interesses dos países envolvidos e também de conciliar e balancear aspectos econômicos, sociais e ambientais. Especificamente em relação à mudança do clima, reduzir as emissões de gases de efeito estufa é um desafio.

A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL

A busca por uma sociedade futura de baixa emissão de carbono deve contar com a participação de todos os setores da economia e observar a melhor relação benefício x custo. Transferência de tecnologia, instrumentos de gerenciamento de riscos climáticos e financiamento devem fazer parte de qualquer politica de implantação das Contribuições Nacionalmente Determinadas - NDC. 

Principais desafios para a sustentabilidade da indústria do aço no marco do desenvolvimento sustentável A indústria do aço é global, com extensa cadeia de setores consumidores. Hoje, cerca de 1,6 bilhões de toneladas de aço são consumidas anualmente no mundo. 

O aço é usado em uma grande variedade de propósitos – desde produção de cercas, portões, utensílios de cozinha, até usos mais especializados como a construção civil, máquinas e equipamentos e veículos. É um produto importante para a vida humana no seu dia a dia, mesmo que nem sempre possa ser visto, por estar atrás de uma pintura ou da fachada de um edifício, ou ainda no subsolo levando água para a população ou na perfuração de poços para extração de petróleo. 

A indústria do aço é vital para a manutenção da sustentabilidade da sociedade moderna, pois a população mundial vai continuar aumentando, e os países terão que continuar seu processo de desenvolvimento, necessitando de mais aço para atender a este crescimento. Estima-se que mais 1,5 bilhão de pessoas estarão vivendo em cidades até 2030. Isso exigirá mais infraestrutura, moradias, sistemas de transporte público e aumento da produção de alimentos. 

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O SETOR NO CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE.

A intensificação e ampliação de medidas/ tecnologias mais eficientes em termos energéticos requerem políticas industriais específicas e linhas de financiamento a juros compatíveis com os existentes em outros países.

 • Inovações Tecnológicas Os investimentos do setor siderúrgico em P&D concentram-se no desenvolvimento de novos produtos e coprodutos, bem como no aperfeiçoamento de seus processos operacionais. O objetivo é inovar para potencializar a produtividade, com a redução de custos pelo uso racional de recursos naturais e, principalmente, com a minimização de impactos ambientais. O setor trabalha continuamente em busca de inovações de caráter preventivo em seus processos de produção, a fim de melhorar a composição de insumos, substituindo insumos não renováveis por outros com menor nível de emissão de CO2, além de priorizar a utilização de tecnologias limpas. As inovações tecnológicas podem ser incrementais ou disruptivas, responsáveis, respectivamente, por melhorias pontuais ou pela completa reconfiguração da indústria. Inovações tecnológicas incrementais Uso dos coprodutos da indústria do aço A produção de aço resulta na geração de coprodutos que podem reduzir as emissões de CO2 , substituindo os recursos naturais em outras indústrias. Como exemplo, pode-se citar a escória de alto forno em substituição ao clínquer, que economiza energia e reduz as emissões de CO2 na produção de cimento. Igualmente, as escórias de aciaria, quando utilizadas na construção civil, possuem vantagens ambientais ao substituir recursos naturais não renováveis, como brita e argila, na pavimentação de vias. 

• Inovações tecnológicas disruptivas Devido às características do principal processo de produção do aço, onde a maior fonte de carbono – o carvão mineral – é usado como agente de redução do minério de ferro, sem alternativa de mudança tecnológica nos próximos 20 anos, as ações para redução das emissões de CO2 têm caráter marginal e se caracterizam por melhorias operacionais no processo e no transporte de matérias primas e produtos, maior eficiência energética e reciclagem dos resíduos. As usinas integradas no Brasil produzem 75% da produção de aço, portanto inovações relacionadas a esta rota tecnológica possibilitarão maior potencial de mitigação das emissões da indústria do aço. Como já mencionado anteriormente, ao longo de um período de 30 anos, a indústria siderúrgica reduziu o seu consumo de energia por tonelada de aço produzido em 50%. No entanto, devido a esta significativa melhoria na eficiência energética, estima-se que há pouco espaço para melhorias futuras com base na tecnologia existente. Manter no nível atual ou reduzir ainda mais as emissões globais de CO2 depende do desenvolvimento e introdução de novas tecnologias radicais de produção de aço com uma menor pegada de carbono.


0 comentários:

Postar um comentário