BRASÍLIA
2017
A INDÚSTRIA DO AÇO
NO BRASIL
A INDÚSTRIA DO AÇO
NO BRASIL
APRESENTAÇÃO
O Instituto Aço Brasil nasceu em 1963, com o objetivo de fomentar a
competitividade da indústria brasileira do aço. Ao longo desses anos,
o Instituto sempre esteve comprometido com o desenvolvimento
sustentável do país e com as demandas da sociedade. Suas ações
sempre foram em prol da sustentabilidade, baseadas nos pilares
econômico, social e ambiental.
Tendo como associadas 14 empresas, o Aço Brasil tem entre suas
principais funções a realização de estudos e pesquisas relacionados
à produção, equipamentos e tecnologia, matéria-prima e energia,
meio ambiente, tendências de mercado, novas aplicações do aço e
relações industriais.
Cabe à entidade também coletar dados, preparar e divulgar estatísticas do setor, coordenar a normalização de produtos siderúrgicos,
desenvolver programas e políticas de apoio à indústria do aço,
além de atuar como representante de suas associadas na relação
com órgãos e entidades públicas e privadas no país e no exterior.
Parque Produtor
Fonte: Aço Brasil.
O parque produtor de aço no Brasil é constituído por 30 usinas (15
integradas e 15 semi-integradas). A capacidade instalada atual da
indústria é de 50,3 milhões de toneladas de aço bruto por ano.
O processo de produção do aço é intensivo em relação ao consumo
de algumas matérias-primas e insumos, mas, a partir da segunda
metade do século passado, foram obtidos significativos avanços
no desenvolvimento de tecnologias que permitiram aumentar a
eficiência energética, a redução do consumo específico de matérias-primas, o reaproveitamento dos gases e resíduos do processo
e a maximização da recirculação da água.
A adoção do conceito de
economia circular no setor vem possibilitando o reuso inteligente e
eficaz de matéria-prima, insumos e resíduos.
No mundo, cerca de 70% da produção de aço é obtida via rota
integrada a coque, sendo o percentual restante produzido pela rota
semi-integrada. No Brasil, 78% do aço provém da rota integrada
e 21% da semi-integrada, cabendo destacar que cerca de 11% da
produção de aço pela rota integrada usa carvão vegetal em substituição ao coque (carvão mineral).
As empresas dispõem de estações de
tratamento da água e dos efluentes que permitem o seu reaproveitamento na unidade de produção original ou sua alocação em
outra unidade.
Preocupadas com o risco de escassez de recursos hídricos, nos
últimos anos, em especial a partir de 2014, as associadas realizaram
ações para aumentar a eficiência no uso da água, como a adoção
de programas de treinamento/sensibilização de colaboradores, o
uso de água de chuva, a adequação dos sistemas de tratamento de
efluentes para reutilização posterior desse efluente e a viabilização
de novas alternativas de reuso de água.
Energia
A matriz energética da indústria do aço sofreu pequena alteração
nos últimos anos. Em 2015, a participação do carvão mineral/coque,
principal insumo energético do setor, decresceu 1,3% na matriz
energética, em comparação ao ano imediatamente anterior, reflexo
do aumento do consumo dos derivados de petróleo.
A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL
A seguir, apresentam-se dois estudos de casos de inovações recentemente realizados pela indústria de aço brasileira.
Nova linha de aços elétricos
A nova linha de aços elétricos especiais, conhecida como GoCore, lançada
recentemente pela Aperam South America, reúne os aços GO (grãos orientados) e
HGO (grão superorientado de maior permeabilidade), de alta eficiência energética
para aplicações em transformadores de geração e distribuição.
Mais nobre, de alta eficiência energética, o novo aço HGO possui aplicação
em transformadores elétricos de geração e distribuição, o que resultará em
equipamentos e menores e mais eficientes.
A redução do tamanho dos transformadores facilitará o armazenamento, o
transporte, além de diminuir a quantidade de insumos usados na sua produção
e manutenção. A empresa investiu aproximadamente 19 milhões de dólares entre
pesquisas e implementação da linha de produção.
Polo Robótico
O Polo Robótico da Gerdau, recém inaugurado, localizado na unidade de São
José dos Campos – SP, irá estimular uso de tecnologias robóticas para processos
industriais e oferecerá também capacitação técnica para a comunidade.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com a empresa ENTEV Integração Robótica
e Yaskawa Motoman Robotics, teve investimento de R$ 500 mil e possibilitará
a automatização de processos industriais da Gerdau, o que irá contribuir para a
produtividade e a segurança do dia a dia das operações da empresa.
Além disso, o espaço conta com uma área para capacitação de colaboradores e
para a comunidade - universitários ou interessados pelo tema - podendo receber
até 600 alunos por semana.
PRÁTICAS EMPRESARIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
sustentabilidade. O Aço Brasil foi um dos pioneiros na publicação
de relatório setorial relacionado à sustentabilidade. Iniciativas de certificação e
autoregulação desenvolvidas pelo setor
Sistemas de gestão ambiental
Em 2016, as empresas responsáveis pela produção de 81% do aço
bruto já dispunham da certificação ISO 14001, o que demonstra o
comprometimento do setor com a prevenção da poluição e melhorias contínuas.
No caso da ISO 9001, as empresas responsáveis pela produção de
87% do aço bruto, em 2015, e 100%, em 2016, já dispunham da
certificação, atestando de reconhecimento nacional e internacional
os sistemas de gestão da qualidade das empresas.
Já a OHSAS
18001, foi adotada pelas empresas responsáveis pela produção de
46% do aço bruto em 2016. Em 2015, o percentual era de 38%, e
o ritmo de procura pela certificação continua a crescer.
Rotulagem ambiental
As empresas do setor são signatárias de diversos pactos e iniciativas
voluntárias da sociedade e da comunidade empresarial relacionadas com o desenvolvimento sustentável. O setor produtor de aço
deu um importante passo não só voltado à melhoria contínua da
qualidade, mas também sob o ponto de vista da responsabilidade
socioambiental, ao buscar o selo ambiental para seus produtos.
Esse
tipo de selo resulta da aplicação de sistema de avaliação do desempenho ambiental de produtos. Tanto a ABNT como o IFBQ (Instituto
Falcão Bauer de Qualidade) foram acreditados pelo Inmetro para
fazerem a certificação ambiental de produtos siderúrgicos.
PRÁTICAS EMPRESARIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
normalização do seu uso e apoiar o desenvolvimento e divulgação
de novos processos e tecnologias.
Desta forma, os coprodutos poderão ser crescentemente utilizados
na construção civil, passando pelos transportes, e também na agricultura, como corretivos e micronutrientes de solos, tornando-se
matéria-prima para as indústrias, como, por exemplo, a escória
de alto forno, que vem quase totalmente destinada à fabricação de
cimentos, substituindo o clínquer e reduzindo, com isso, não só
a extração do calcário, um recurso natural não renovável como a
emissão dos gases de efeito estufa na produção de cimento.
DESAFIOS E OPORTUNIDADES
PARA O SETOR NO CAMINHO DA
SUSTENTABILIDADE.
Principais tendências internacionais
para o setor no marco da sustentabilidade
Com base em relatórios que apontam o esgotamento dos recursos
naturais do planeta, e devido à maior exigência da população em
relação à qualidade de vida, prevê-se que as normas e regulamentos
relacionados à proteção ambiental serão cada vez mais restritivas.
Há ainda uma crescente influência da sociedade organizada na
definição de convenções e acordos internacionais e legislações
relacionadas ao meio ambiente. Dessa forma, as questões socioambientais, pouco consideradas no processo de tomada decisão no
passado recente, possuem, atualmente, grande peso no estabelecimento de políticas públicas e na definição de investimentos
públicos e privados.
A questão ambiental também vem ganhando crescente importância na geopolítica mundial e no comércio internacional. Diversas
convenções internacionais foram acordadas nos últimos anos
(Mudança do Clima, Biodiversidade, Movimento Transfronteiriço
de Resíduos, Poluentes Orgânicos Persistentes etc.) e, de um modo
geral, tem sido questionada a sua implementação, já que podem
propiciar barreiras ao comércio e afetar países menos desenvolvidos, carentes de tecnologias e de recursos financeiros. Acordos
e Convenções internacionais se defrontam com a dificuldade de
convergir visões e interesses dos países envolvidos e também
de conciliar e balancear aspectos econômicos, sociais e ambientais.
Especificamente em relação à mudança do clima, reduzir as
emissões de gases de efeito estufa é um desafio.
A INDÚSTRIA DO AÇO NO BRASIL
A busca por uma sociedade futura de baixa
emissão de carbono deve contar com a participação de todos
os setores da economia e observar a melhor relação benefício
x custo. Transferência de tecnologia, instrumentos de gerenciamento de riscos climáticos e financiamento devem fazer parte
de qualquer politica de implantação das Contribuições Nacionalmente Determinadas - NDC.
Principais desafios para a
sustentabilidade da indústria do aço no
marco do desenvolvimento sustentável
A indústria do aço é global, com extensa cadeia de setores consumidores. Hoje, cerca de 1,6 bilhões de toneladas de aço são consumidas
anualmente no mundo.
O aço é usado em uma grande variedade de propósitos – desde
produção de cercas, portões, utensílios de cozinha, até usos mais
especializados como a construção civil, máquinas e equipamentos
e veículos. É um produto importante para a vida humana no seu
dia a dia, mesmo que nem sempre possa ser visto, por estar atrás
de uma pintura ou da fachada de um edifício, ou ainda no subsolo
levando água para a população ou na perfuração de poços para
extração de petróleo.
A indústria do aço é vital para a manutenção da sustentabilidade
da sociedade moderna, pois a população mundial vai continuar
aumentando, e os países terão que continuar seu processo de
desenvolvimento, necessitando de mais aço para atender a este
crescimento. Estima-se que mais 1,5 bilhão de pessoas estarão
vivendo em cidades até 2030. Isso exigirá mais infraestrutura,
moradias, sistemas de transporte público e aumento da produção
de alimentos.
DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA O SETOR NO CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE.
A intensificação e ampliação de medidas/ tecnologias mais eficientes em
termos energéticos requerem políticas industriais específicas e linhas de
financiamento a juros compatíveis com os existentes em outros países.
• Inovações Tecnológicas
Os investimentos do setor siderúrgico em P&D concentram-se no
desenvolvimento de novos produtos e coprodutos, bem como
no aperfeiçoamento de seus processos operacionais. O objetivo é
inovar para potencializar a produtividade, com a redução de custos
pelo uso racional de recursos naturais e, principalmente, com a
minimização de impactos ambientais.
O setor trabalha continuamente em busca de inovações de caráter
preventivo em seus processos de produção, a fim de melhorar a
composição de insumos, substituindo insumos não renováveis por
outros com menor nível de emissão de CO2, além de priorizar a
utilização de tecnologias limpas.
As inovações tecnológicas podem ser incrementais ou disruptivas,
responsáveis, respectivamente, por melhorias pontuais ou pela
completa reconfiguração da indústria.
Inovações tecnológicas incrementais
Uso dos coprodutos da indústria do aço
A produção de aço resulta na geração de coprodutos que podem
reduzir as emissões de CO2
, substituindo os recursos naturais em
outras indústrias. Como exemplo, pode-se citar a escória de alto
forno em substituição ao clínquer, que economiza energia e reduz
as emissões de CO2
na produção de cimento. Igualmente, as
escórias de aciaria, quando utilizadas na construção civil, possuem
vantagens ambientais ao substituir recursos naturais não renováveis,
como brita e argila, na pavimentação de vias.
• Inovações tecnológicas disruptivas
Devido às características do principal processo de produção do
aço, onde a maior fonte de carbono – o carvão mineral – é usado
como agente de redução do minério de ferro, sem alternativa
de mudança tecnológica nos próximos 20 anos, as ações para
redução das emissões de CO2 têm caráter marginal e se caracterizam por melhorias operacionais no processo e no transporte de
matérias primas e produtos, maior eficiência energética e reciclagem dos resíduos.
As usinas integradas no Brasil produzem 75% da produção de aço,
portanto inovações relacionadas a esta rota tecnológica possibilitarão maior potencial de mitigação das emissões da indústria do aço.
Como já mencionado anteriormente, ao longo de um período de
30 anos, a indústria siderúrgica reduziu o seu consumo de energia
por tonelada de aço produzido em 50%. No entanto, devido a
esta significativa melhoria na eficiência energética, estima-se que
há pouco espaço para melhorias futuras com base na tecnologia
existente. Manter no nível atual ou reduzir ainda mais as emissões
globais de CO2 depende do desenvolvimento e introdução de novas
tecnologias radicais de produção de aço com uma menor pegada
de carbono.

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