segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A HORA DA VERDADE.





livro :  A HORA DA VERDADE.
Autor: Jan Carlson.
Resumo: Marcos Rogério.

A HORA VERDADE - Aquele momento que você falha com o cliente, mesmo com todas as justificativas possíveis, que por sua vez não resolveu  o problema do cliente. Falhou na hora da verdade.

Com toda a certeza, a história de Carlzon em A hora da verdade é a saga de uma reviravolta extraordinária no volátil ramo da aviação, mas sua aplicabilidade geral não tem limites. Ele argumenta que estamos numa “encruzilhada histórica”. Que nossas tradicionais vantagens competitivas (ocidentais) foram seriamente desgastadas." (  Jan Carlzon).

Livro  composto por 12 capítulos que narra vários "cases " fenomenais.

CAPÍTULO UM.
A hora da verdade.

Dedicação ao cliente...

"Não faz muito tempo, cada um dos nossos dez milhões de clientes entrou em contato com aproximadamente cinco empregados da empresa, e cada contato durou em média 15 segundos. Desta forma, a SAS é “criada” 50 milhões de vezes por ano nas mentes de nossos clientes por 15 segundos de cada vez. Estes 50 milhões de “momentos da verdade” são o que basicamente determina se a SAS será bem-sucedida ou falhará como empresa. São momentos em que precisamos provar a nossos clientes que a SAS é sua melhor alternativa." ("A Hora da verdade" Jan Carlzon).

FOCO NO CLIENTE.

"Um fabricante sueco de equipamento de solda, por exemplo, detinha o monopólio do mercado europeu havia bastante tempo, devido à alta qualidade dos seus produtos. De repente, a companhia descobriu que perdera quase a metade de seu mercado. Aparentemente, um concorrente europeu estava vendendo um equipamento menos sofisticado pela metade do preço – e satisfazendo ao mesmo tempo as necessidades e os orçamentos dos clientes. Por ter estabelecido uma estratégia própria orientada para o produto, a companhia sueca estava cobrando preços proibitivos. No mundo de hoje, o ponto de partida deve ser o consumidor – não o produto ou a tecnologia – e isto significa que as empresas devem se organizar de forma diferente para sobreviver." (A Hora da verdade" Jan Carlzon ).

CAPÍTULO DOIS.
As reviravoltas da Vingresor e da linjeflyg.

Na Vingressor..no primeiro cargo de presidente apos somente 06 anos de experiência  profissional.

"Tentei então fazer jus a tais expectativas. As pessoas começaram a ouvir minha voz com mais e mais freqüência. Eu tinha as soluções para os problemas de todos – como se tivesse repentinamente adquirido sabedoria junto com o cargo de presidente. Tomei incontáveis decisões com muito pouco conhecimento, experiência ou informação. Comecei a ser conhecido no escritório como “o Rapaz do Ego”. O apelido foi tirado do nome de um famoso cavalo de corridas da época, mas enquadrava-se claramente no meu estilo de gerência. Eu sabia que algo estava errado, mas não conhecia nenhuma outra maneira de dirigir uma empresa." ("A Hora da verdade" Jan Carlzon).

linjeflyg.

"Meu primeiro ato oficial na Linjeflyg rendeu benefícios até muito tempo depois. Em meu primeiro dia no cargo, convidei todos os membros da equipe, alguns deles trabalhando a horas de distância, para se reunirem no hangar principal da Linjeflyg, às 11 horas da manhã. Subi em uma escada alta e dirigi-me à multidão lá embaixo. “Esta companhia não está indo bem”, eu disse francamente. “Está perdendo dinheiro e enfrentando vários problemas. Como novo presidente, não sei nada sobre a Linjeflyg. Não posso salvar esta companhia sozinho. A Linjeflyg só terá chance de sobreviver se vocês me ajudarem – assumindo a responsabilidade, partilhando suas idéias e experiências, para que tenhamos mais com o que trabalhar." (A Hora da verdade" Jan Carlzon).

Vingresor e a Linjeflyg foram duas das três companhias escandinavas, todas ligadas à indústria de viagens, que ajudei a sair de fases difíceis. Algumas pessoas atribuem o meu sucesso a truques de marketing, mas a verdade é que não usei o mesmo programa para resolver os problemas dessas três companhias tão diferentes entre si. Mais exatamente, reorientei cada companhia para as necessidades do mercado a que cada uma delas serve. Para tanto, aprendi a confiar mais no pessoal da linha de frente, que lida com os clientes, e menos em meus próprios decretos. Em outras palavras, quando aprendi a ser um líder antes de ser um gerente, pude ajudar cada companhia a abrir-se a novas possibilidades de mercado e à energia criativa de seus empregados. " (A Hora da verdade" Jan Carlzon)

CAPÍTULO TRÊS.
 A reviravolta da SAS.

"Muitas pessoas na SAS presumiram que eu reduziria os preços das passagens, como fizera na Linjeflyg, e espremeria os custos drasticamente, como havia feito na Vingresor. Mas não era tão simples. No caso da Vingresor, estávamos diante de um mercado em baixa e, portanto, precisávamos cortar custos para poder ter lucros com os clientes que éramos capazes de manter. Quanto à Linjeflyg, tínhamos custos fixos e, sendo assim, precisávamos aumentar a receita; isto foi feito com a redução do preço das passagens e o aumento do número de vôos." (Jan Carlzon).

A ESTRATÉGIA.

Queríamos que as operações aéreas da SAS fossem lucrativas mesmo num mercado de crescimento zero, como o daquele momento. Para tanto, escolhemos torná-la conhecida como “a melhor companhia aérea do mundo para o passageiro em freqüentes viagens de negócios”. Tínhamos identificado o homem de negócios como a única parte estável do mercado. Ao contrário dos turistas, os homens de negócios precisam viajar tanto nos bons quanto nos maus tempos. E, talvez o mais importante, o mercado de negócios tem exigências especiais que poderíamos satisfazer com o desenvolvimento de serviços adequados, e assim atrair o público que se utiliza da tarifa integral. Em outras palavras, decidimos ser 1% melhores em cem coisas em vez de ser 100% melhores em uma só coisa. O resultado foi um plano estratégico excepcional para mudar a orientação da companhia" (Jan Carlzon)

DECIDIR.

"As pessoas às vezes cometem erros, mas isto não era considerado importante. Os erros geralmente podem ser corrigidos mais tarde; o tempo perdido por causa de uma decisão que não foi tomada nunca mais pode ser recuperado." (Jan Carlzon).

RESULTADOS.

"Os resultados não demoraram a aparecer. Nossa meta financeira era aumentar os ganhos em cerca de 25 milhões de dólares no primeiro ano, 40 milhões no segundo e 50 milhões no terceiro ano. Para nosso espanto, aumentamos nossos rendimentos em aproximadamente 80 milhões de dólares só no primeiro ano – num mercado em queda tão acentuada que outras empresas aéreas internacionais tinham sofrido um prejuízo conjunto de dois bilhões de dólares. ( Jan Carlzon)

CAPÍTULO QUATRO.
PROFISSÃO: Líder.

Preparar o time para tomar decisões dentro de sua "caixa" seguindo a estratégia da empresa. 

"...ser delegada de modo que as decisões individuais fossem tomadas no local da ação, e não acima, no topo do organograma. Eu disse que havíamos criado uma organização projetada para funcionar desta maneira e escolhera gerentes dos quais esperava essa atitude. “Agora pretendo tirar quatro semanas de férias”, declarei. “Se meu telefone não tocar, será a prova de que obtive sucesso – as pessoas terão aceito as responsabilidades e estarão tomando decisões sozinhas. Mas se o telefone tocar, então eu terei falhado ao transmitir minha mensagem ou ao escolher gerentes capazes de assumir responsabilidades.” (Jan Carlzon).

Porque se escolhe um líder?

"Um líder não é escolhido porque sabe tudo e pode tomar qualquer decisão. É escolhido para reunir o conhecimento disponível e então criar os pré-requisitos para a realização do trabalho. Elabora os sistemas que lhe permitem delegar responsabilidades para as operações do dia-a-dia.

"No entanto, o executivo não precisa ter conhecimentos especializados e detalhados. Sou o presidente de uma grande empresa aérea, mas não sei pilotar nem consertar um avião – e ninguém na SAS espera tal coisa de mim. Hoje em dia, um líder deve ter qualidades muito mais genéricas: bom senso de negócios e uma ampla compreensão da maneira como as coisas se encaixam – os relacionamentos entre indivíduos e grupos dentro e fora da companhia e a interação entre os vários elementos operacionais da companhia." ( Jan Carlzon).

Exige de um Líder. 

"O que se exige é um pensamento estratégico, ou a “visão-helicóptero” – um talento para sobrevoar os detalhes a fim de enxergar melhor a configuração do terreno. A capacidade de compreender e dirigir as mudanças é crucial para uma liderança efetiva. O líder dos negócios de hoje deve administrar não somente finanças, tecnologia, produção e afins, como também os recursos humanos. Ao definir metas e estratégias claras, transmitindo-as em seguida a seus empregados e treinando-os para assumir responsabilidades de modo a atingir estes objetivos, o líder estabelece um ambiente de trabalho seguro que favorece a flexibilidade e a inovação." (Jan Carlzon).

Firmeza.

"Em muitos aspectos, no entanto, o líder tem de ser um déspota esclarecido – alguém disposto a disseminar sua visão e seus objetivos através de uma grande organização descentralizada mas que não tolere nenhuma discordância ativa às idéias básicas. Deve ser capaz de apresentar sua visão de forma convincente para que as metas e estratégias sejam aceitas por todos na companhia. (Jan Carlzon).

CAPÍTULO CINCO.
Estabelecendo a estratégia.

"Bob Crandall tomara aquelas primeiras medidas cruciais que muitos líderes ignoram. Ele analisou o clima dos negócios e determinou as necessidades de seus clientes. Baseado neste conhecimento, delineou uma estratégia para suprir estas necessidades dentro do contexto do mercado e organizou inteligentemente sua companhia para levar adiante esta estratégia. Surpreendentemente, muitos executivos começam pelo planejamento de objetivos e estratégias, retrocedendo mais tarde para examinar o mercado e as necessidades dos usuários. É obvio que este processo está na ordem errada. Como é possível saber quais são os objetivos e estratégias de sua empresa se você não tem uma imagem clara do ambiente onde opera ou não tem noção do que os usuários querem? Infelizmente, quando as companhias reconhecem que deveriam ter planejado da maneira inversa, já é tarde demais." ( Jan Carlzon).

O QUE O CLIENTE QUER ?

"Hoje isto funciona de maneira inversa. Quando um executivo planeja uma viagem, ele marca suas reuniões e só então faz reserva numa empresa aérea para um vôo que melhor se adapte aos seus compromissos. Se a SAS tiver um vôo conveniente, ele comprará sua passagem conosco; se não tiver, não comprará. É por esta razão que agora a SAS está voltada para aquelas localidades que têm passageiros em número suficiente para manter vôos freqüentes – e porque não podemos usar aviões grandes como o Airbus ou o 747, a não ser que sejamos capazes de lotá-los todos os dias. Nossa nova perspectiva orientada para o cliente começa no mercado e não com o produto. Adaptamos então os meios de produção para atender ao cliente" ( Jan Carlzon).

"Levantando o dedo, ele continuou: “Jan, nunca esqueça que a parte mais difícil de um bom acordo de negócios é resistir a um mau acordo de negócios. Não me incomodo com todas as famílias com crianças que nos ignoraram, já que resolvemos fazer negócio com outra categoria de cliente e estamos dispostos a dar a esse cliente o máximo de nossos esforços.”

"Em oposição a uma companhia orientada para o produto, em que as decisões são motivadas por considerações tecnológicas e pelo produto, a companhia orientada para o usuário começa com o mercado e deixa que o mercado conduza cada decisão, cada investimento e cada alteração." ( Jan Carlzon).

CAPÍTULO SEIS.
Achatando a pirâmide.

"história de Stuttgart mostra que o achatamento da pirâmide organizacional costuma dar bons resultados. Qualquer companhia que esteja procurando estabelecer uma orientação para o usuário e criar uma boa impressão durante as suas “horas da verdade” precisa achatar a pirâmide – ou seja, eliminar os níveis hierárquicos de responsabilidade para ser capaz de reagir direta e rapidamente às necessidades dos usuários. A companhia orientada para o usuário deve ser organizada para a mudança. A “gerência” é assim transferida da sala dos executivos para o nível operacional, onde cada um é o gerente de sua própria situação. Quando surgem problemas, cada empregado tem autoridade para analisá-los, determinar a ação apropriada e verificar, sozinho ou com a ajuda de outros, se tal ação foi executada." 

DELEGAR.

"As pessoas às vezes acreditam que delegar responsabilidade é o mesmo que abdicar da própria influência. Raramente acontece isso. Na verdade, o papel do gerente médio é indispensável ao bom funcionamento de uma organização descentralizada. A motivação da linha de frente e o apoio ao seu trabalho exigem gerentes habilidosos e inteligentes, que tenham competência para treinar, informar, criticar, elogiar, educar, etc. Sua autoridade destina-se a transformar a estratégia geral em diretrizes práticas a serem seguidas pela linha de frente, mobilizando em seguida os recursos para que a linha de frente atinja os seus objetivos. Tudo isso requer um planejamento meticuloso e, ao mesmo tempo, saudáveis doses de criatividade e engenho." ( Jan Carlzon).

CAPÍTULO SETE.
Assumindo risco.

"Adoto uma espécie de máxima que ajuda a sacudir obstáculos psicológicos como esse acima, que é a seguinte: “Atravesse paredes.” Sua meta pode parecer impossível, mas não pare de tentar alcançá-la até que alguém realmente diga não. A parede que está diante de você pode não ser tão sólida quanto parece." 

". Não é só a alta gerência que precisa aprender a saltar sobre o abismo; o hábito de assumir riscos deve ser difundido por toda a organização. Infelizmente, a maioria dos empregados da linha de frente vem seguindo regulamentos há tanto tempo que poucos têm coragem de tentar fazer algo diferente. Receosos de tomar uma decisão que possa desagradar a um superior, eles transferem a responsabilidade outra vez para cima – em casos mais extremos, diretamente ao conselho diretor." ( Jan Carlzon).

"Se os funcionários da linha de frente devem realmente tomar decisões que acarretam algum tipo de risco, é necessário que se sintam absolutamente seguros. Possuir conhecimentos e informações não é suficiente, se eles acreditam que uma decisão errada pode causar-lhes problemas ou até mesmo custar-lhes o emprego. Precisam saber que podem cometer enganos. Só assim ousarão utilizar inteiramente a sua nova autoridade."

Tal segurança vem de duas fontes: uma interna e outra externa. A alta e a média gerência podem criar ambas." ( Jan Carlzon).

"líderes e os gerentes devem dar orientação, e não punição, aos empregados que assumem riscos e, eventualmente, cometem erros. As decisões erradas devem ser usadas como base para o treinamento; as decisões corretas, para os elogios e exemplos positivos." ( Jan Carlzon).

CAPÍTULO OITO.
Utilizando a comunicação.

"Numa companhia descentralizada, voltada para o usuário, um bom líder passa mais tempo ocupando-se com a comunicação do que com qualquer outra coisa. Precisa comunicar-se com os empregados para mantê-los a par das novas atividades e serviços da companhia."

"Mais do que simplesmente formular sua mensagem, você precisa estar certo de que cada empregado entendeu e absorveu realmente o que foi transmitido. Isto significa que a abordagem deve ser invertida: é necessário considerar quais as palavras que serão melhor assimiladas pelo interlocutor e torná-las suas." ( Jan Carlzon).

"As mensagens mais poderosas são as simples e diretas, que podem servir como um grito de guerra para todos os tipos de pessoas, através de todos os níveis da empresa. A mensagem não precisa ser pomposa nem original." ( Jan Carlzon).

"A maneira de ser dos líderes é cuidadosamente observada e copiada dentro das empresas. Por sua vez, através do comportamento das pessoas, a personalidade do líder começa a ser absorvida por toda a companhia. Os líderes devem ter consciência de quanto a comunicação não-verbal pode vir a ilustrar o estilo que as outras pessoas na empresa devem seguir. E, sendo assim, o líder estará ajudando a criar a verdadeira imagem que a companhia apresenta a seus clientes." Dar um bom exemplo é verdadeiramente o meio de comunicação mais eficaz – e dar um mau exemplo é desastroso!" ( Jan Carlzon).

CAPÍTULO NOVE.
Conselhos e sindicatos.


"Surpreendentemente, a equipe gerencial típica não compartilha a estratégia global de negócios com o conselho. Muitos presidentes de companhias, na verdade, temem seus conselhos. 

"O sindicato é outro tormento constante para muitos empresários. Porém, os sindicatos também têm potencial para contribuir de modo significativo para o trabalho da corporação."

"Numa companhia hierarquizada, os sindicatos representam as pessoas localizadas na base da pirâmide, que recebem ordens e diretrizes. Portanto, é função dos sindicatos examinar e questionar, no interesse dos trabalhadores, as decisões que foram tomadas pela direção da companhia. Os sindicatos, desta forma, servem de freio ao processo gerencial."

"Entretanto, se o processo de tomada de decisão for descentralizado, o papel dos sindicatos muda fundamentalmente. Com os seus próprios elementos agora tomando decisões como parte de sua nova função, os sindicatos não podem mais se opor a essas decisões. Não podem ser adversários daquelas pessoas cujos interesses representam. Ao contrário, os sindicatos precisam associar-se a seus membros e à gerência."

"Para que seja possível expandir o trabalho cooperativo, a gerência também precisa aprender a ver os sindicatos como sócios naturais e recursos genuínos. Cada uma das partes deve familiarizar-se com a maneira de pensar da outra. Nós, os dirigentes, precisamos dar aos sindicatos a oportunidade de compreender os nossos processos de raciocínio." (Jan Carlzon)


CAPÍTULO DEZ.
Avaliando os resultados.

"Para conseguir maior eficácia e lucratividade, as empresas aéreas comerciais costumam tentar encher as “barrigas vazias” dos aviões de passageiros com carga aérea. Assim, a divisão de carga da SAS sempre avaliara seu desempenho pelo volume de frete transportado, ou pela maneira como eram enchidas as barrigas dos aviões. Logo percebemos que estávamos avaliando a coisa errada – um objetivo sem relação com a situação real, do tipo “sala de executivo”, que nada tinha a ver com as necessidades dos nossos clientes de serviços de carga. Estes, na verdade, estavam mais interessados em precisão, isto é, entregas pontuais em lugares específicos. Revimos, então, a nossa estratégia e estabelecemos um novo objetivo: ser a empresa aérea com o mais alto nível de precisão." (Jan Carlzon).

ERRANDO O ALVO. 

"Estávamos cometendo um dos erros mais básicos que uma empresa orientada para serviços pode cometer: prometendo uma coisa e avaliando outra. Neste caso, estávamos prometendo entrega de carga pontual e precisa e avaliando volume ou se os pacotes e a papelada iriam separar-se durante o percurso. Na realidade, uma carga poderia chegar quatro dias depois do prometido sem ser registrada como atrasada. Era evidente que precisávamos começar a avaliar o nosso sucesso em função de nossas promessas." 

"Numa companhia voltada para o usuário, as avaliações são derivadas do modo como os empregados focalizam sua energia nas áreas que são vitais para aqueles que pagam: os clientes." (Jan Carlzon).

CAPÍTULO ONZE.
Recompensando os empregados.


"Infelizmente, em muitas companhias, a única coisa que chama a atenção são os erros. Se você faz um bom ou um mau trabalho – e mesmo se não faz nenhum –, ninguém se preocupa em comentar." 


"Toda pessoa tem necessidade de sentir que sua contribuição é notada. O trabalho que fazemos e o conseqüente reconhecimento contribuem para a nossa auto-estima. Especialmente em ramos de negócios orientados para serviços em que a auto-estima e o ânimo alerta dos empregados têm um impacto enorme na satisfação do usuário, uma palavra de merecido elogio pode dar ótimos resultados." ( Jan Carlzon).

"Creio que uma organização que recompensa seus empregados com a verdadeira satisfação no trabalho e o senso autêntico de seu próprio valor é mais honesta consigo mesma e com sua equipe. A melhor recompensa que se pode receber por um bom trabalho é merecer responsabilidades bem-definidas e confiança. Colaborar para o desenvolvimento de pessoas de talento é um dos mais sérios desafios para aqueles que dirigem uma empresa." ( Jan Carlzon).

ORGULHO DO QUE FAZ.

"Em poucas palavras, a mais preciosa das recompensas é o sentimento de orgulho pelo próprio trabalho." .Quais são seus objetivos e como querem progredir. E a força poderosa que está por trás de uma saudável auto-estima produzirá a confiança e a criatividade necessárias para enfrentar os novos desafios que surgem constantemente durante o percurso.".

"Todos nós precisamos de recompensas e, além disso, trabalhamos melhor quando podemos ter orgulho daquilo que estamos fazendo. É claro que as pessoas competentes são bem pagas por sua colaboração, mas receber responsabilidades definidas, confiança e interesse ativo dos outros é uma recompensa muito mais satisfatória e pessoal. Acredito que aqueles que ocupam cargos de liderança podem aumentar o amor-próprio de seus empregados ao compreender o que estes esperam de seu" ( Jan Carlzon).



CAPÍTULO DOZE.
A segunda onda.

O RISCO DE ATINGIR O SUCESSO.


"quando você atinge o alvo, corre o risco de se tornar prisioneiro do sucesso. Como observou Roald Sokilde, nosso gerente operacional dinamarquês, é mais difícil conquistar a paz do que ganhar a guerra."

"Agora, chegáramos aonde queríamos – antes de refletir sobre o que faríamos em seguida. A falta de novos objetivos estava produzindo alguns resultados negativos. O clima de união estava se desgastando. O propósito de nosso trabalho começou a ser questionado com freqüência. E a energia recém-descoberta de nossos empregados começou a enveredar por caminhos mais estreitos e pessoais." 

"Agora, chegáramos aonde queríamos – antes de refletir sobre o que faríamos em seguida. A falta de novos objetivos estava produzindo alguns resultados negativos. O clima de união estava se desgastando. O propósito de nosso trabalho começou a ser questionado com freqüência. E a energia recém-descoberta de nossos empregados começou a enveredar por caminhos mais estreitos e pessoais." ( Jan Carlzon).

CRIANDO NOVO OBJETIVO.

"Mas a tarefa ainda não estava completa. Precisávamos de um novo objetivo amplo que nos permitisse concentrar todas as nossas forças mais uma vez numa só direção. Dei tratos à bola para encontrar um objetivo que engajasse todo o mundo da SAS. Perguntava a todos que encontrava na companhia: “Existe alguma coisa que desperte o interesse de cada empregado na SAS? Sobre que assunto pensam as pessoas enquanto estão trabalhando? O que as preocupa? Onde é que enfrentamos uma ameaça comum?”" (Jan Carlzon).

"Depois de criar uma organização vigorosa e lucrativa baseada em serviços de alta qualidade para clientes executivos, não poderíamos destruir tudo isso em nome da eficiência. Também não era possível nos expormos à acusação de estarmos sacrificando a eficiência. A eficiência tinha de fazer parte de uma estratégia mais ampla."

"O objetivo final: na próxima década, a SAS será a empresa aérea mais eficiente da Europa. Teremos uma rede competitiva de rotas espalhadas por todo o mundo. Seremos os líderes do mercado em qualidade e segurança. Seremos capazes de competir de forma lucrativa em todas as distâncias e com todos os tamanhos de avião." 

"Os objetivos mais amplos ajudam-nos a enxergar além de nossas tarefas diárias. As pessoas apreciam os desafios em suas carreiras e em suas vidas. Estabelecendo objetivos, como fizemos na SAS, podemos contribuir para o bem-estar de nossos empregados e, ao mesmo tempo, servir aos nossos usuários cada vez melhor."

"Não temos a pretensão de ter descoberto uma abordagem original para a maneira de fazer negócios. Muitos outros dirigentes de empresas têm consciência da importância de se determinar o clima de negócios e fazer com que os objetivos, a estratégia e a estrutura organizacional da companhia estejam de acordo com ele. Eles também estabelecem objetivos audaciosos" ( Jan Carlzon).


Termino o resumo, mas fica a dica , compre o livro, faça varias leituras.Coloque as lições em prática. Crescimento pessoal e profissional garantido. 




VÍDEO RESUMO DO LIVRO.








domingo, 16 de fevereiro de 2020

OS SERTÕES.


Neste resumo, vou focar no que o autor objetivou em cada capítulo, também há o link do livro e do filme canudos.

Precisamos conhecer SERTÕES , há lições de como fazer deserto  e quem é o maior fazedor de deserto, O HOMEM e como se extingue o deserto. Há lições de sociologia, antropologia,climatologia  e até psicologia. 

Biografia de Euclides da Cunha  Euclides da Cunha (1866-1909) foi um escritor, jornalista e professor brasileiro, autor da obra "Os Sertões". Foi enviado como correspondente ao Sertão da Bahia, pelo jornal O Estado de São Paulo, para cobrir a guerra no município de Canudos.  Seu livro "Os Sertões", narra e analisa os acontecimentos da guerra. Foi eleito em 21 de setembro de 1903 para a cadeira n.º 7 da Academia Brasileira de Letras. 

Sertões mostrou e ainda continua mostrando, como o autoconhecimento é importante . Conhecer nosso país é fundamental, para admirar e ama-lo, assim como conhecer a nós mesmo.

Quantidades de páginas: 2192.

FASE PRIMEIRA.
Terra.

Iniciando na região sul e Sudeste , Euclides vai descrevendo e fazendo correspondência da geografia e os seu recursos , como um pré ambulo para chegar nas pessoas.

"Logo a partir de Camaçari as formações antigas cobrem-se de escassas manchas terciárias, alternando com exíguas bacias cretáceas, revestidas do terreno arenoso de Alagoinhas que mal esgarçam, a leste, as emersões calcárias de Inhambupe. A vegetação em roda transmuda-se, copiando estas alternativas com a precisão de um decalque. Rarefazem" ( Euclides da Cunha).

"Galga-se uma ondulação qualquer — e ele se desvenda ou se deixa adivinhar, ao longe, no quadro tristonho de um horizonte monótono em que se esbate, uniforme, sem um traço diversamente colorido, o pardo requeimado das caatingas. Intercorrem ainda paragens menos estéreis, e nos trechos em que se operou a decomposição in situ do granito, originando algumas manchas argilosas, as copas virentes dos ouricurizeiros circuitam — parêntese breves abertos na aridez geral — as bordas das ipueiras. Estas lagoas mortas, segundo a bela etimologia indígena, demarcam obrigatória escala ao caminhante." (Euclides da Cunha)

Euclides era um cientista e tinha vasto conhecimento , explicou a seca no nordeste com embasamento técnico.

"Assim é que as secas aparecem sempre entre duas datas fixadas há muito pela prática dos sertanejos, de 12 de dezembro a 19 de março. Fora de tais limites não há um exemplo único de extinção de secas. Se os atravessam, prolongam-se fatalmente por todo o decorrer do ano, até que se reabra outra vez aquela quadra. Sendo assim e lembrando-nos que é precisamente dentro deste intervalo que a longa faixa das calmas equatoriais, no seu lento oscilar em torno do equador, paira no zênite daqueles Estados, levando a borda até aos extremos da Bahia, não poderemos considerá-la, para o caso, com a função de uma montanha ideal que correndo de leste a oeste corrigindo momentaneamente lastimável disposição orográfica, se anteponha a monção e lhe provoque a parada, a ascensão das correntes, o resfriamento subsequente e a condensação imediata nos aguaceiros diluvianos que tombam então, de súbito, sobre os sertões ?" ( Euclides da Cunha)

Euclides , explica o por que é mais difícil andar na caatinga no quer na floresta , enquanto numa se busca a luz a outra a sobra...

"Ao passo que a caatinga o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama espinescente e não o atrai; repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças; e desdobra-se-lhe na frente léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem folhas, de galhos estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante..." ( Euclides da Cunha).

SOLUÇÃO DA SECA.

È impressionante como a solução indicadas foi por volta de 1896,e que  recentemente é que está sendo ao poucos implementadas e ainda assim,  não em todos estados do Nordeste.

"O processo que indicamos, em breve recordação histórica, pela sua própria simplicidade dispensa inúteis pormenores técnicos. A França copia-o hoje, sem variantes, revivendo o traçado de construções velhíssimas. Abarreirados os vales, inteligentemente escolhidos, em pontos pouco intervalados, por toda a extensão do território sertanejo, três consequências inevitáveis decorreriam: atenuar-se-iam de modo considerável a drenagem violenta do solo e as suas consequências lastimáveis; formar-se-lhes-iam à ourela, inscritas na rede das derivações, fecundas áreas de cultura; e fixar- se-ia uma situação de equilíbrio para a instabilidade do clima, porque os numerosos e pequenos açudes, uniformemente distribuídos e constituindo dilatada superfície de evaporação, teriam, naturalmente, no correr dos tempos, a influência moderadora de um mar interior, de importância extrema. Não há alvitrar-se outro recurso. As cisternas, poços artesianos e raros, ou longamente espaçados lagos como o de Quixadá, têm um valor local, inapreciável. Visam, de um modo geral, atenuar a última das consequências da seca — a sede; e o que há a combater e a debelar nos sertões do Norte — é o deserto. O martírio do homem, ali, é reflexo de tortura maior, mais ampla, abrangendo a economia geral da Vida." ( Euclides da Cunha)

FASE SEGUNDA.
O Homem.

Euclides tinha uma visão racista ("cientifica" ), havia pouco tempo, acontecido  o fim da   escravidão no Brasil.

"Predestinamo-nos à formação de uma raça histórica em futuro remoto, se o permitir dilatado tempo de vida nacional autônoma. Invertemos, sob este aspecto, a ordem natural dos fatos. A nossa evolução biológica reclama a garantia da evolução social. Estamos condenados à civilização. Ou progredimos, ou desaparecemos. A afirmativa é segura. Não a sugere apenas essa heterogeneidade de elementos ancestrais. Reforça-a outro elemento igualmente ponderável: um meio físico amplíssimo e variável, completado pelo variar de situações históricas, que dele em grande parte decorreram. A este propósito não será desnecessário considerá-lo por alguns momentos." ( Euclides da Cunha).



"Enquanto o domínio holandês, centralizando-se em Pernambuco, reagia por toda a costa oriental, da Bahia ao Maranhão, e se travavam recontros memoráveis em que, solidárias, enterreiravam o inimigo comum as nossas três raças formadoras, o sulista, absolutamente alheio àquela agitação, revelava, na rebeldia aos decretos da metrópole, completo divórcio com aqueles lutadores. Era quase um inimigo tão perigoso quanto o batavo. Um povo estranho de mestiços levantadiços, expandindo outras"

"Ao calor e à luz, que se exercitam em ambas, adicionam-se, então, a disposição da terra, as modalidades do clima e essa ação de presença inegável, essa espécie de força catalítica misteriosa que difundem os vários aspectos da natureza. Entre nós, vimo-lo, a intensidade destes últimos está longe da uniformidade proclamada. Distribuíram, como o indica a história, de modo diverso as nossas camadas étnicas, originando uma mestiçagem dissímil."

"primeiros povoadores Foi vagaroso. As gentes portuguesas não abordavam o litoral do Norte robustecidas pela força viva das migrações compactas, grandes massas invasoras capazes, ainda que destacadas do torrão nativo, de conservar, pelo número, todas as qualidades adquiridas em longo tirocínio histórico. Vinham esparsas, parceladas em pequenas levas de degredados ou colonos contrafeitos, sem o desempenho viril dos conquistadores. Deslumbrava-as ainda o Oriente. O Brasil era a terra do exílio; vasto presídio com que se amedrontavam os heréticos e os relapsos, todos os passíveis do morra".

"Deste modo nos primeiros tempos o número reduzido de povoadores contrasta com a vastidão da terra e a grandeza da população indígena. As instruções dadas, em 1615, ao capitão Fragoso de Albuquerque, a fim de regular com o embaixador espanhol em França o tratado de tréguas com La Ravardière, são claras a respeito. Ali se afirma "que as terras do Brasil não estão despovoadas porque nelas existem mais de 3 mil portugueses". Isto para o Brasil todo — mais de cem anos após o descobrimento."

"Contribuiu para esta tentativa persistente de incorporação a Companhia de Jesus que, obrigando-se no Sul a transigências forçadas, dominava no Norte. Excluindo quaisquer intenções condenáveis, os jesuítas ali realizaram tarefa nobilitadora. Foram ao menos rivais do colono ganancioso. No embate estúpido da perversidade contra a barbaria, apareceu uma função digna àqueles eternos condenados. Fizeram muito. Eram os únicos homens disciplinados de seu tempo. Embora quimérica a tentativa de alçar o estado mental do aborígine às abstrações do monoteísmo, ela teve o valor de o atrair por muito tempo, até" (Os Sertões: Euclides da Cunha).

"Fundações jesuíticas na Bahia Com efeito, ali, totalmente diversos na origem, os atuais povoados sertanejos se formaram de velhas aldeias de índios, arrebatadas, em 1758, do poder dos padres pela política severa de Pombal. Resumindo-nos aos que ainda hoje existem, próximos e em torno do lugar onde existia há cinco anos a Tróia de taipa dos jagunços, vemos, mesmo em tão estreita área, os melhores exemplos." 

"gênese do mulato Assim a gênese do mulato teve uma sede fora do nosso país. A primeira mestiçagem com o africano operou-se na metrópole. Entre nós, naturalmente, cresceu. A raça dominada, porém, teve, aqui, dirimidas pela situação".

"Nesta última a uberdade da terra fixara simultaneamente dois elementos, libertando o indígena. A cultura extensiva da cana, importada da Madeira, determinara o olvido dos sertões. Já antes da invasão holandesa, do Rio Grande do Norte à Bahia havia 160 engenhos. E esta exploração, em dilatada escala, progrediu depois em rápido crescendo." 

"De fato, em toda esta superfície de terras, que abusivas concessões de sesmarias subordinavam à posse de uma só família, a de Garcia d'Ávila (Casa da Torre), acham-se povoados antiquíssimos. De Itapicuru- de-Cima a Jeremoabo e daí acompanhando o S. Francisco até os sertões de Rodelas e Cabrobó, avançaram logo no século 17 as missões num lento caminhar que continuaria até o nosso tempo." 

POVO ISOLADO.

"A carta régia de 7 de fevereiro de 1701 foi, depois, uma medida supletiva desse isolamento. Proibira, cominando severas penas aos infratores, quaisquer comunicações daquela parte dos sertões com o sul, com as minas de São Paulo. Nem mesmo as relações comerciais foram toleradas; interditas as mais simples trocas de produtos. Ora, além destes motivos, sobreleva- se, considerando a gênese do sertanejo no extremo norte, um outro: o meio físico dos sertões em todo o vasto território que" ( Os Sertões: Euclides da Cunha)

"prole o estigma da fronte escurecida; o mamaluco faz-se o bandeirante inexorável, precipitando-se, ferozmente, sobre as cabildas aterradas... Esta tendência é expressiva. Reata, de algum modo, a série contínua da evolução, que a mestiçagem partira. A    raça superior torna-se o objetivo remoto para onde tendem os mestiços deprimidos e estes, procurando-a, obedecem ao próprio instinto da conservação e da defesa."

"A sua evolução psíquica, por mais demorada que esteja destinada a ser, tem, agora, a garantia de um tipo fisicamente constituído e forte. Aquela raça cruzada surge autônoma e, de algum modo, original, transfigurando, pela própria combinação, todos os atributos herdados; de sorte que, despeada afinal da existência selvagem, pode alcançar a `:ida civilizada por isto mesmo que não a atingiu de repente."

A SENTENÇA DE EUCLIDES.

"sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral." Os Sertões: Euclides da Cunha)

"É    impossível idear-se cavaleiro mais chucro e deselegante; sem posição, pernas coladas ao bojo da montaria, tronco pendido para a frente e oscilando à feição da andadura dos pequenos cavalos do sertão, desferrados e maltratados, resistentes e rápidos como poucos."


DIFERENÇA ENTRE O INVASOR E O QUE DEFENSOR DE BELO MONTE.

O GAÚCHO.

gaúcho do Sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado. O vaqueiro do Norte é a sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará -los. O primeiro, filho dos plainos sem fins, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do Norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada. Não o entristecem as cenas periódicas da devastação e da miséria, o quadro assombrador da absoluta pobreza do solo calcinado, exaurido"

"Não tem, no meio das horas tranquilas da felicidade, a preocupação do futuro, que é sempre uma ameaça, tornando aquela instável e fugitiva. Desperta para a vida amando a natureza deslumbrante que o aviventa; e passa pela vida, aventureiro, jovial, diserto, valente e fanfarrão, despreocupado, tendo o trabalho como uma diversão que lhe permite as disparadas, domando distancias, nas pastagens planas, tendo aos ombros, palpitando aos ventos o pala inseparável, como uma flâmula festivamente desdobrada. As suas vestes são um traje de festa, ante a vestimenta rústica do vaqueiro. As amplas bombachas, adrede talhadas para a movimentação fácil sobre os baguais ".


O VAQUEIRO.

"O vaqueiro, porém, criou-se em condições opostas, em uma intermitência, raro perturbada, de horas felizes e horas cruéis, de abastança e misérias — tendo sobre a cabeça, como ameaça perene, o sol, arrastando de envolta, no volver das estações, períodos sucessivos de devastações e desgraças. Atravessou a mocidade numa intercadência de catástrofes. Fez-se homem, quase sem ter sido criança. Salteou-o, logo, intercalando-lhe agruras nas horas festivas da infância, o espantalho das secas no sertão"

"Cedo encarou a existência pela sua face tormentosa. É um condenado à vida. Compreendeu-se envolvido em combate sem tréguas, exigindo-lhe imperiosamente a convergência de todas as energias. Fez-se forte, esperto, resignado e prático. Aprestou-se, cedo, para a luta."

O gaúcho, o pealador valente, é, certo, inimitável, numa carga guerreira; precipitando-se, ao ressoar estrídulo dos clarins vibrantes, pelos pampas, com o conto da lança enristada, firme no estribo; atufando-se loucamente nos entreveros; desaparecendo, com um grito triunfal, na voragem do combate, onde espadanam cintilações de espadas; transmudando o cavalo em projétil e varanda quadrados e levando de rojo o adversário no rompão das ferraduras, ou tombando, prestes, na luta.

"O vaqueiro é menos teatralmente heroico; é mais tenaz; é mais resistente; é mais perigoso; é mais forte; é mais duro."

Raro assume esta feição romanesca e gloriosa. Procura o adversário com o propósito firme de o destruir, seja como for. Está afeiçoado aos prélios obscuros e longos, sem expansões entusiásticas. A sua vida é uma conquista arduamente feita, em faina diuturna. Guarda-a como capital precioso. Não esperdiça a mais ligeira contração muscular, a mais leve vibração nervosa sem a certeza do resultado. Calcula friamente o pugilato. Ao "riscar da faca" não dá um golpe em falso. Ao apontar a lazarina longa ou o trabuco pesado, dorme na pontaria. . ." ( Os Sertões: Euclides da Cunha)

"Quem vê a família sertaneja, ao cair da noite, ante o oratório tosco ou registro paupérrimo, à meia luz das candeias de azeite, orando pelas almas dos mortos queridos, ou procurando alentos à vida tormentosa, encanta-se."

O POVOAMENTO.

"Quando, no século 17, as descobertas das minas determinaram a atração do interior sobre o litoral, os aventureiros que ao norte investiam com o sertão, demandando as serras da Jacobina, arrebatados pela miragem das minas de prata e rastreando o itinerário enigmático de Belchior Dias, ali estacionavam longo tempo. A serra solitária — a Piquaraçá dos roteiros caprichosos — , dominando os horizontes, norteava-lhes a marcha vacilante." 

O LÍDER.

"Antônio Conselheiro, documento vivo de atavismo É    natural que estas camadas profundas da nossa estratificação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária — Antônio Conselheiro... A imagem é corretíssima. Da mesma forma que o geólogo, interpretando a inclinação e a orientação dos estratos truncados de antigas formações, esboça o perfil de uma montanha extinta, o historiador só pode avaliar a altitude daquele homem, que por si nada valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou. Isolado, ele se perde na turba dos nevróticos vulgares. Pode ser incluído numa modalidade qualquer de psicose progressiva. Mas, posto em função do meio, assombra. É uma diátese e é uma síntese. As fases singulares da sua existência não são, talvez, períodos sucessivos de uma moléstia grave, mas são, com certeza, resumo abreviado dos aspectos predominantes de mal social gravíssimo. Por isto o infeliz, destinado à solicitude dos médicos, veio, impelido por uma potência superior, bater de encontro a uma civilização, indo para a História como poderia ter ido para o hospício. Porque ele para o historiador não foi um desequilibrado"" ( "Os Sertões: Euclides da Cunha).

"difícil traçar no fenômeno a linha divisória entre as tendências pessoais e as tendências coletivas: a vida resumida do homem é um capítulo instantâneo da vida de sua sociedade... Acompanhar a primeira é seguir paralelamente e com mais rapidez a segunda: acompanhá-las juntas é observar a mais completa mutualidade de influxos."

"Não era um incompreendido. A multidão aclamava-o representante natural das suas aspirações mais altas. Não foi, por isto, além. Não deslizou para a demência. No gravitar contínuo para o mínimo de uma curva, para o completo obscurecimento da razão, o meio reagindo por sua vez amparou-o, corrigindo-o, fazendo-o estabelecer encadeamento nunca destruído nas mais exageradas concepções, certa ordem no próprio desvario, coerência indestrutível em. todos os atos e disciplina rara em todas as paixões, de sorte que ao atravessar, largos anos, nas práticas ascéticas, o sertão alvorotado, tinha na atitude, na palavra e no gesto, a tranqüilidade, a altitude e a resignação soberana de um apóstolo antigo." ( Os Sertões: Euclides da Cunha)

"Representante natural do meio em que nasceu O fator sociológico, que cultivara a psicose mística do indivíduo, limitou-a sem a comprimir, numa harmonia salvadora. De sorte que o espírito predisposto para a rebeldia franca contra a ordem natural cedeu à única reação de que era passível. Cristalizou num ambiente propício de erros e superstições comuns."

"Para que V. S. saiba quem é Antônio Conselheiro, basta dizer que é acompanhado por centenas e centenas de pessoas, que ouvem-no e cumprem suas ordens de preferência às do vigário da paróquia. "O fanatismo não tem limites e assim é que, sem medo de erro, e firmado em fatos, posso afirmar que adoram-no, como se fosse um Deus vivo." 

"Arrastava o povo sertanejo não porque o dominasse, mas porque o dominavam as aberrações daquele. Favorecia-o o meio e ele realizava, às vezes, como vimos, o absurdo de ser útil. Obedecia à finalidade irresistível de velhos impulsos ancestrais; e jugulado por ela espelhava em todos os atos a placabilidade de um evangelista incomparável. De feito, amortecia-lhe a nevrose inexplicável placidez."


FASE TERCEIRA.
A LUTA.

Uma guerra já esperada em função da autoridade que Antônio conselheiro tinha sobre aquela gente, que enciumava a igreja e os barões por que já não tinha mão de obra para suas fazendas.

A compra de madeira paga pelo Conselheiro e não recebidas foi a desculpa para o governo "colocar ordem " no sertão. Baseado em boatos que Antonio iria buscar, o que nunca ocorreu, iniciaram os conflitos primeiro com 100 e depois 600 homens.

EXPEDIÇÃO MOREIRA CESAR.  

UMA LEITURA ERRADA DO CENÁRIO.

"Esta gente está desarmada..." As armas dos jagunços eram ridículas. Como despojo os soldados encontraram uma espingarda pica-pau, leve e de cano finíssimo, sob a barranca. Estava carregada. O coronel César, mesmo a cavalo, disparou-a para o ar. Um tiro insignificante, de matar passarinho. — Esta gente está desarmada... — disse tranquilamente." 


"combate desenrolou-se logo em toda a plenitude, resumindo-se naquele avançar temerário. Não teve, depois, a evolução mais simples, ou movimento combinado, que revelasse a presença de um chefe. Principiou a fracionar-se em conflitos perigosos e inúteis, numa dissipação inglória do valor. Era inevitável. Canudos, entretecido de becos de menos de dois metros de largo, trançados, cruzando-se em todos os sentidos, tinha ilusória fragilidade nos muros de taipa que o formavam. Era pior que uma cidadela inscrita em polígonos ou blindada de casamatas espessas. Largamente aberto aos agressores que podiam derruí-lo a coices de arma, que podiam abater-lhe a pulso as paredes" ( Os Sertões: Euclides da Cunha).

"Eu vou dar brio àquela gente... Moreira César fora de combate E descia. A meio caminho, porém, refreou o cavalo. Inclinou-se, abandonando as rédeas, sob o arção dianteiro do selim. Fora atingido no ventre por uma bala. Rodeou-o logo o Estado-maior. — Não foi nada; um ferimento leve, disse, tranquilizando os companheiros dedicados. Estava mortalmente ferido. Não descavalgou. Volvia amparado pelo tenente Ávila, para o lugar que deixara, quando foi novamente atingido por outro projétil. Estava fora de combate." 

O ERRO TÁTICO.

"Não se rastreava na desordem o mais leve traço de combinação tática; ou não se podia mesmo imaginá-la."

"Sem comando, cada um lutava a seu modo. Destacaram-se ainda diminutos grupos para queimarem as casas mais próximas ou travarem breves tiroteios. Outros, sem armas e feridos, principiaram a repassar o rio." ( Os Sertões: Euclides da Cunha).

O SEGUNDO EM COMANDO APÓS A MORTE DE MOREIRA CESAR.

"coronel Tamarindo Faltava, ademais, um comando firme. O novo chefe não suportava as responsabilidades, que o oprimiam. Maldizia talvez, mentalmente, o destino extravagante que o tornara herdeiro forçado de uma catástrofe. Não deliberava. A um oficial, que ansiosamente o interpelara sobre aquele transe, respondera com humorismo triste, rimando um dito popular do Norte: " É tempo de murici cada um cuide de si..." Foi a sua única ordem do dia. Sentado na caixa de um tambor, chupando longo cachimbo," ( Os Sertões: Euclides da Cunha).

A FUGA.

"Debandada. Fuga E foi uma debandada. Oitocentos homens desapareciam em fuga, abandonando as espingardas; arriando as padiolas, em que se estorciam feridos: jogando fora as peças de equipamento; desarmando-se; desapertando os cinturões, para a carreira desafogada; e correndo, correndo ao acaso, correndo em grupos, em bandos erradios, correndo pelas estradas e pelas trilhas que as recortam, correndo para o recesso das caatingas, tontos, apavorados, sem chefes . . . Entre os fardos atirados à beira do caminho ficara, logo ao desencadear-se o pânico — tristíssimo pormenor! — o cadáver do comandante. Não o defenderam. Não houve um breve simulacro de repulsa contra os inimigos, que não viam e adivinhavam no estrídulo dos gritos desafiadores e nos estampidos de um tiroteio irregular e escasso, como o de uma caçada. Aos primeiros tiros os batalhões diluíram-se."

"Os jagunços lançaram-se então sobre ela. Era o desfecho. O capitão Salomão tinha apenas em torno meia dúzia de combatentes leais. Convergiram-lhe em cima os golpes; e ele tombou, retalhado a foiçadas, junto dos canhões que não abandonara. Consumara-se a catástrofe..."

Enquanto isto sucedia, os sertanejos recolhiam os despojos. Pela estrada e pelos lugares próximos jaziam esparsas armas e munições, de envolta com as próprias peças dos fardamento, dólmãs e calças de listra carmesim, cujos vivos denunciadores demais no pardo da caatinga os tornavam incompatíveis com a fuga. De sorte que a maior parte da tropa não se desarmara apenas diante do adversário. Despira-se... Assim na distância que medeia do Rosário a Canudos, havia um arsenal desarrumado, ao ar livre, e os jagunços tinham com que se abastecerem a fartar. A expedição Moreira César parecia ter tido um objetivo único: entregar-lhes tudo aquilo, dar-lhes de graça todo aquele armamento moderno e municiá-los largamente." 

"Um pormenor doloroso completou esta encenação cruel: a uma banda avultava, empalado, erguido num galho seco, de angico, o corpo do coronel Tamarindo. Era assombroso.. . Como um manequim terrivelmente lúgubre, o cadáver desaprumado, braços e pernas pendidos, oscilando à feição do vento no galho flexível e vergado, aparecia nos ermos feito uma visão demoníaca. Ali permaneceu longo tempo... Quando, três meses mais tarde, novos expedicionários seguiam para Canudos, depararam ainda o mesmo cenário: renques de caveiras branqueando as orlas do caminho, rodeadas de velhos trapos, esgarçados nos ramos dos arbustos e, de uma banda — mudo protagonista de um drama formidável — o espectro do velho comandante..."

FASE QUARTA.
QUARTA EXPEDIÇÃO.


"havia três meses varrida pelos canhoneios, rota pelos assaltos, devorada pelos incêndios e defendida por uma guarnição única. Ao alcançarem o sítio da Suçuarana, seis léguas distante de Canudos, reanimavam-se. Chegavam até lá soturnamente reboando os estampidos da artilharia. Em Caxomongó, se o vento era de feição, distinguiam mesmo o crebro crepitar dos tiroteios . . . Caxomongó Entretanto nessa alacridade guerreira despontavam ainda inopinados sobressaltos. A luta sertanejo não perdera por completo o traço misterioso, que conservaria até ao fim. Avantajando-se no sertão, os sôfregos lutadores, à medida que se sentiam cada vez mais longe entre as chapadas ermas, passando pelos sítios tristonhos e destruídos — em pleno".

"desequilíbrio entre o número de combatentes válidos, continuamente diminuído e o de mulheres, crianças, velhos, aleijados e enfermos, continuamente crescente. Esta maioria imprestável tolhia o movimento dos primeiros e reduzia os recursos. Podia fugir, escoar-se a pouco e pouco em bandos diminutos pelas veredas que restavam, deixando aqueles desafogados e forrando-se ao último sacrifício. Não o quis. De modo próprio todos os seres frágeis e abatidos, certos da própria desvalia, se devotavam a quase completo jejum, em prol dos que os defendiam. Não os deixaram. A vida no arraial tornou-se então atroz. Revelaram-na depois a miséria, o abatimento completo e a espantosa magreza de seiscentas prisioneiras. Dias de angústias indescritíveis foram suportados diante das derradeiras portas abertas para a liberdade "

os sertanejos perdem o líder.

"Falecera a 22 de agosto Antônio Conselheiro. Ao ver tombarem as igrejas, arrombado o santuário, santos feitos estilhas, altares caídos, relíquias sacudidas no encaliçamento das paredes e — alucinadora visão ! —o Bom Jesus repentinamente a apear-se do altar - mor, baqueando sinistramente em terra, despedaçado por uma granada, o seu organismo combalido dobrou-se ferido de emoções violentas. Começou a morrer. Requintou na abstinência costumeira, levando-a a absoluto jejum. E imobilizou-se certo dia, de bruços, a fronte colada à terra, dentro do templo em ruínas."

"Chegando à primeira canhada encoberta, realizava-se uma cena vulgar. Os soldados impunham invariavelmente à vítima um viva à República, que era poucas vezes satisfeito. Era o prólogo invariável de uma cena cruel. Agarravam-na pelos cabelos, dobrando-lhe a cabeça, esgargalando- lhe o pescoço; e, francamente exposta a garganta, degolavam-na. Não raro a sofreguidão do assassino repulsava esses preparativos lúgubres. O processo era, então, mais expedito: varavam-na, prestes, a facão. Um golpe único, entrando pelo baixo ventre. Um destripamento rápido... Tínhamos valentes que ansiavam por essas cobardias repugnantes, tácita e explicitamente sancionadas pelos chefes militares. Apesar de três séculos de atraso, os sertanejos não lhes levavam"

"Deponhamos . O fato era vulgar. Fizera-se pormenor insignificante. Começara sob o esporear da irritação dos primeiros reveses, terminava friamente feito praxe costumeira, minúscula, equiparada às últimas exigências da guerra. Preso o jagunço válido e capaz de aguentar o peso da espingarda, não havia malbaratar -se um segundo em consulta inútil. Degolava-se; estripava-se. Um ou outro comandante se dava o trabalho de um gesto expressivo. Era uma redundância capaz de surpreender."

MAIS SOLDADOS PARA EXTERMINAR OS SERTANEJOS DE CANUDOS.

"Onze batalhões (16 °, 22.º, 24.°, 27.°, 32.°, 33.°, 37.°, 38.º, de linha, o do Amazonas, a ala direita do de S. Paulo, e o 2.º do Pará), mais de 2500 homens, tinham-se apoderado, nos últimos dias, de cerca de 2 mil casas e comprimiam os sertanejos, atirando-os de encontro à vertente da fazenda Velha ao sul, e a leste contra igual número de baionetas dos 25°, 7.º, 9.°, 35°, 40.º, 30.°, 12.°, 26°, de linha e 5º de Polícia. Eram 5 mil soldados, em números redondos, excluídos os que permaneciam de guarda ao acampamento e guarnecendo a estrada de Monte Santo. A população combatida tinha, ao invés das linhas frouxas de um assédio largo, um círculo inteiriço de vinte batalhões, e amoitava-se em menos de quinhentos casebres, ao fundo da igreja, na última volta do rio. Os incêndios" (from "Os Sertões: "  ( Euclides da Cunha).

"Apenas estreita fímbria da face norte da praça e o núcleo de casebres junto à latada e à retaguarda da igreja se figuravam intactos. Mas eram em número diminuto, quatrocentos talvez, comprimidos em área reduzida. E os que neles se abrigavam certo não suportariam por uma hora um assalto de 6 mil homens. Valia a pena tentá" 

"Era urgente ampliar o plano primitivo do ataque, lançando no conflito novos lutadores. Do alto da Sete de Setembro partiu o sinal do comando-em-chefe, e logo depois o toque de avançar para o 5.° da Bahia. Lançava-se o jagunço contra o jagunço. O batalhão de sertanejos avançou. Não foi a investida militar, cadente, derivando a marche-marche, num ritmo seguro. Viu-se um como serpear rapidíssimo de baionetas ondulantes, desdobradas, de chofre, numa deflagração luminosa, traçando em segundos uma listra de lampejos desde o leito do rio até aos muros da igreja... O mesmo avançar dos jagunços, célere, estonteador, escapante à trajetória retilínea, num colear indescritível."

"Não foi uma carga, foi um bote. Em momentos uma linha flexível, de aço, enleou o baluarte sagrado do inimigo. Coruscou um relâmpago de duzentas baionetas: o 5.° desapareceu mergulhando nos escombros... Mas a situação não mudou. Aquele fragmento revolto do arraial, para cuja expugnação pareciam excessivas duas brigadas, absorvera-as; absorvera o reforço enviado; ia absolver batalhões inteiros. Seguiram, logo depois, o 34.º, o 40.º, o .30.° e o 31.° de Infantaria. Duplicavam as forças assaltantes. Aumentou, num crescendo, o estrépito da batalha invisível; ampliaram-se os incêndios; ardeu toda a latada. Mas na espessa afumadura dos ares embruscados branqueava, embaixo, a praça absolutamente vazia."

"Baixas Ao fim de três horas de combate, tinham-se mobilizado 2 mil homens sem efeito algum. As nossas baixas avultavam. Além de grande número de praças e oficiais de menor patente, baquearam mortos, logo pela manhã, o comandante do 29.°, major Queirós, e o da 5.ª Brigada, tenente-coronel Tupi Ferreira Caldas. Tupi Caldas A deste originara raro lance de bravura. Os soldados do 30.° idolatravam-no. Era uma rara vocação militar. Irrequieto, nervoso e impulsivo, o seu temperamento casava-se bem à vertigem das cargas e à rudeza das casernas. Nesta campanha mesmo jogara várias vezes a vida. Fora o comandante da vanguarda a 18 de julho; e depois daquele dia saíra" ( Euclides da Cunha).


CANUDOS RESISTE.

"os triunfadores, aqueles triunfadores, os mais originais entre todos os triunfadores memorados pela História, compreenderam que naquele andar acabaria por devorá-los, um a um, o último reduto combatido. Não lhes bastavam 6 mil mannlichers e 6 mil sabres; e o golpear de 12 mil braços, e o acalcanhar de 12 mil coturnos; e 6 mil revólveres; e vinte canhões, e milhares de granadas, e milhares de schrapnels; e os degolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de canhoneio contínuo; e o esmagamento das ruínas; e o quadro indefinível dos templos derrocados; e, por fim, na ciscalhagem das imagens rotas, dos altares abatidos, dos santos em pedaços — sob a impassibilidade dos céus tranquilos e claros — a queda de um ideal ardente, a extinção absoluta de uma crença consoladora e forte..."

O FIM.

" Não há relatar o que houve a 3 e a 4. A luta, que viera perdendo dia a dia o caráter militar, degenerou, ao cabo, inteiramente. Foram-se os últimos traços de um formalismo inútil: deliberações de comando, movimentos combinados, distribuições de forças, os mesmos toques de cornetas, e por fim a própria hierarquia, já materialmente extinta num exército sem distintivos e sem fardas. Sabia-se de uma coisa única: os jagunços não poderiam resistir por muitas horas. Alguns soldados se haviam abeirado do último reduto e colhido de um lance a situação dos adversários. Era incrível:" ( Euclides da Cunha).

"numa cava quadrangular, de pouco mais de metro de fundo, ao lado da igreja nova, uns vinte lutadores, esfomeados e rotos, medonhos de ver-se, predispunham-se a um suicídio formidável. Chamou-se aquilo o "hospital de sangue" dos jagunços. Era um túmulo. De feito, lá estavam, em maior número, os mortos, alguns de muitos dias já, enfileirados ao longo das quatro bordas da escavação e formando o quadrado assombroso dentro do qual uma dúzia de moribundos, vidas concentradas na última contração dos dedos nos gatilhos das espingardas, combatiam contra um exército. E lutavam com relativa vantagem ainda. Pelos menos fizeram parar os adversários. Destes os que mais se aproximaram"

CANUDOS NÃO SE RENDEU.

" Fechemos este livro. Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados. Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo" ( Euclides da Cunha).

FIM.












EXTRAS.




domingo, 9 de fevereiro de 2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

COMPORTAMENTO SEGURO: 70 LIÇÕES PARA O SUPERVISOR DE PRIMEIRA LINHA



Livro com dicas e fundamentos de segurança para uso do supervisor e demais líderes.

Indice
Introdução –  Os 10 Pilares da Boa Prática de Segurança- de “AA a I”
1ª. Parte – 7 Pontos Fundamentais que você necessita assimilar para uma atitude prevencionista
    1. Comportamento Seguro – Uma Práxis 
    2. Fatalidades não existem!
    3. A pirâmide dos eventos
    4. O conceito de IMPROVÁVEL, MAS POSSÍVEL
    5. Barreiras
    6. Perdas – comprometendo o resultado da empresa
    7. O dever geral de cautela
2ª. Parte - Os 25 Tipos mais comuns de Acidentes no Trabalho- COMO PREVENI-LOS
2.1-Pressão excessiva e suas conseqüências
2.2- Acidentes por maus exemplos de práticas incorretas
2.3- Uma praga chamada permissividade
2.4- Acidentes por desvio de função
2.5-Imperícia
2.6-Negligência
2.7-Imprudência
2.8-Arrogância, Ousadia e Vaidade
2.9-Intempestividade
2.10- Os acidentes por desatenção, desligamento e perda de foco
2.11- Descumprimento de regras e práticas- Quebra de procedimentos
2.12- Acidentes por falta de inspeção periódica
2.13- Acidentes por equipamentos obsoletos ou por tecnologia de má qualidade
2.14- Os acidentes por más condições de ergonomia
2.15- Erros de comunicação
2.16- Ordens de má qualidade
2.17- Acidentes por deslize
2.18- Acidentes por falta de bloqueio em intervenções de manutenção
2.19- Acidentes por situações de não conformidade e por improvisações técnicas
2.20- Acidentes comuns com as mãos
2.21-Álcool e outras drogas: inimigos eternos da prática segura
2.22- Acidentes por sonolência durante o trabalho
2.23- Acidentes com veículos automotivos leves
2.24- Acidentes na área administrativa da empresa – onde menos se espera
2.25- Acidentes em Atividades Críticas Comuns
3ª Parte- Por que o Trabalhador Comete Erros e tem Práticas Inseguras- O Paradigma do Hexágono das Causas do Erro Humano
3.1- O hexágono das causas do comportamento inadequado
3.2- As ferramentas adequadas para prevenir os diversos tipos de falha humana
4ª. Parte- Parte 4- Repensando a causa básica dos acidentes do trabalho- o paradigma da FALHA ADMINISTRATIVA
4.1- As formas comuns de  transferir responsabilidade em acidentes do trabalho
4.2- O paradigma da falha administrativa
4.3- Os 10 Principais  Instrumentos Administrativos de Prevenção de Acidentes para o Supervisor/Facilitador
5ª. Parte
Os 7 Principais Instrumentos Administrativos Próprios da Supervisão – Como Fazê-los
5.1- Investigação de quase-acidentes, incidentes, acidentes e perdas
5.2-Inspeção periódica planejada formal adequada
5.3- Regras de trabalho (Os Dez Mandamentos)
5.4- Análise de Risco da Tarefa + Procedimento Operacional Padrão
5.5- Protocolo de Orientação a Novos e Novos na Função
5.6-Feedback Periódico (Análise de Desempenho)
5.7- Reuniões  Periódicas da Equipe
6ª. Parte – Como Obter Resultados Consistentes com os Subordinados
6.1-As teorias humanas – desde Maslow até nossos dias
6.2-Um modelo de abordagem da questão da saúde mental no trabalho
6.3-A qualidade da gestão e seu impacto sobre a saúde mental do trabalhador
6.4-O estresse e seu impacto sobre a saúde mental
6.5-Realidade psicossocial – um dos principais fatores determinantes do grau de satisfação do trabalhador na empresa
6.6- Comunicação interpessoal eficaz e construtiva
6.7- Alta motivação com o trabalho: o resultado de um esforço constante da empresa e dos seus dirigentes
6.8- As principais características do ser humano no trabalho
6.9-Os 25 Mandamentos para lidar com os subordinados
6.10-Princípios básicos para as medidas disciplinares
7.a Parte– Os NÃO e os SIM na Atuação do Supervisor
7.1- Pratique os Princípios GOIA e GOSRA
7.2- Vamos nivelar para cima?
7.3- Aprenda a conjugar os verbos “PARETAR” e PRIORIZAR – e administre melhor o seu tempo
7.4- Aprenda a contratar
7-5- Diga SIM à administração por processo (e acompanhamento dos indicadores do processo)
7-5- Diga SIM à ordem e limpeza
7.6-Diga SIM ao projeto básico
7.8- Fiscalize...e faça manutenção
8ª.Parte – Palestras para o Pessoal Operacional
8.1- Os 10 Mandamentos na Prevenção de Acidentes para Pessoal Operacional
8.2- Aprendendo Segurança com os ensinamentos da Bíblia
8.3- O Pulo do Gato na Prevenção de Acidentes do Trabalho
8.4- O trabalhador NOTA DEZ em Segurança – de “A” a “Z”
9.a Parte- Lições Finais
9.1- Nossa meta é zero acidente...mas para que tipo de acidente?
9.2- Os pecados capitais do supervisor em Segurança do Trabalho
9.3- Os 10 Mandamentos de Segurança para Supervisores/ Facilitadores



CAPÍTULOS

Capítulo I - OS 10 PILARES

Capítulo 4 - 10 INSTRUMENTOS .

Capítulo 9 10 MANDAMENTOS DE SEGURANÇA.